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Sobre ser um livro aberto

Por Nayara Coelho

Ser um livro aberto

me ensinou que

enquanto vou escrevendo cada verso que compõe as linhas dos poemas dramáticos das fases da minha vida,

idealizo que quem se dispor a ler,

terá a sensibilidade de entender que cada palavra foi milimetricamente pensada

para soar sincera.

Ser um livro aberto,

Me mostra também

que quando vou descrevendo as narrativas envolventes dos meus desamores que não tiveram um final feliz,

posso entender finalmente

que devia ter colocado pontos finais nos lugares de vírgulas e interrogações, mas que daquela página em diante, terei coragem suficiente para isso.

Ser um livro aberto

É saber que cada sentimento expresso por mim, podem ser metáforas

ou apenas pensamentos efêmeros, que vagaram pela minha mente no momento,

e por isso não devem ser levados tão a sério.

Ser um livro aberto

É estar disposta a ouvir que todas aquelas páginas escritas por mim,

poderão um dia ser a história preferida de alguém, relida inúmeras vezes, até que uma linha ou outra seja decorada e espalhada aos quatro ventos.

(Há ainda quem deteste ler, mas fará isso porque a personagem principal da história, sou eu)

Ser um livro aberto

É saber que existirá quem tentará procurar gravuras em meio a tantas palavras, e que se eu tentar desenhá-las, apenas para atender a um capricho, irei desdenhar da minha intensidade.

(Será que ainda não entenderam que todas as letras são linhas desenhadas de formas diferentes?)

Ser um livro aberto

É saber que tentarão me explicar o que há por trás de cada palavra que eu mesma escrevi, e que me farão duvidar de minha própria convicção, mas só eu sei o que realmente motivou na escolha delas.

Ser um livro aberto

É estar disposta a ter coragem de assumir que não escrevo para alguém amar ou odiar, e sim para mim mesma, pois minha essência grita para que os sentimentos transbordem do peito e se tornem palavras que não precisam fazer sentido para os outros.

Afinal, naquelas páginas estão as minhas verdades

Não posso mudar as palavras já escritas

Apenas para tentar me encaixar

na verdade de alguém.

O que me permite concluir que,

Por ser um livro aberto,

Nem todos vão apreciar o livro da história da minha vida, do jeito que ele realmente merece ser lido.

Há quem dobrará as páginas

Quem fará rasuras pelos cantos

E quem irá grifar as partes mais importantes

E por mais interessante que possa parecer

Ainda há quem o deixará guardado na estante…

E o que eu realmente quero sendo um livro aberto?

Nesse momento… Apenas continuar escrevendo

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Comentários:

Isabella Paolucci

Jornalista, fã de filmes e séries, k-poper e sagitariana.

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