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Estudantes de Medicina apoiam instituição que abriga pessoas em situação de rua

Ação voluntária organizada por um grupo de Acadêmicos da Faculdade de Medicina de Barbacena (FAME) levou orientações sobre os riscos do tabagismo a pessoas em situação de rua, apoiados pela Casa do Cuidado.

A intervenção foi solicitada pela própria coordenação da Casa, devido à vulnerabilidade do público assistido aos problemas de saúde causados pelo tabagismo e também pela grande incidência de casos de dependência química. Na roda de conversa, os acadêmicos abordaram pontos como doenças provocadas pelo tabagismo, mudança de hábitos, abstinência e estratégias para vencer a dependência química.

O viver na rua implica uma série de vulnerabilidades de saúde, sociais e até mesmo legais. Especificamente, quando privados de acesso a serviços e ações de prevenção e apoio social, essas pessoas ficam expostas a condições de maiores riscos de sofrerem abusos, apresentarem algum diagnóstico de transtorno mental, bem como múltiplas comorbidades clínicas, incluindo o aumento do uso e dependência de substâncias tóxicas.

Segundo o Professor da FAME e médico psiquiatra, Dr. João Fábio de Carvalho, a dependência química é um tema complexo e multifatorial. “Envolve uma desregulação em uma região do córtex cerebral chamada sistema límbico (ou de recompensa). O dependente químico tem uma dificuldade maior de controle de impulsos. Essa disfunção pode ocorrer relacionada a outros transtornos, como TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), ansiedade, esquizofrenia e Transtorno Afetivo Bipolar. A própria dependência química pioraria a condição médica que propiciou o indivíduo a viver na rua e; além disso, a falta de pontos de apoio (por morar na rua) dificultaria uma boa resposta a tratamento da dependência e das condições psiquiátricas citadas”, explica.

Dessa forma, a incidência da dependência química em pessoas em situação de rua pode estar diretamente relacionada à própria dificuldade de apoio social e/ou familiar para se levar uma vida mais regrada. É aí que entra a importância do trabalho da Casa do Cuidado e de ações de voluntários, como as atividades realizadas pelos acadêmicos da FAME. “Estamos levando informações básicas em saúde nas mais diversas áreas a essas pessoas num intuito de incentivá-las a uma rotina de autocuidado, prevenção e perseverança na manutenção de tratamentos, mesmo diante de todas as dificuldades. Também mostramos os caminhos existentes, no setor público, para obterem um apoio em saúde mais efetivo”, explicou o estudante de medicina, Juliano Bergamaschine, que integra o grupo de voluntários.

O Sistema Público de Saúde oferece serviços que atendem a pessoas em situação de rua como o Consultório na Rua, Caps AD, hospitais psiquiátricos, leitos crise no Hospital Santa Casa e comunidades terapêuticas. Mas para o Professor da FAME, ainda falta uma ‘interconexão’ entre os setores. “Cada setor tem sua importância, mas acredito que o ideal seria um tratamento integrado e transdisciplinar; visto que todos esses setores tem uma importância grande no tratamento de qualquer dependência”, completou o psiquiatra.

 

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Thiago Rossi

Formado em Comunicação Social pela UNIPAC e pós-graduado em Gestão Cultural pelo Senac/BH. Jornalista, escritor e curioso.

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